Irresponsabilidade do governo e pandemia prejudicam acordos

Pandemia de Covid-19 combinada com falta de vacina e de políticas públicas do governo prejudicaram e continuam comprometendo a questão salarial e a vida do trabalhador. A conclusão é do coordenador-técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fausto Augusto Júnior.

Segundo estudo da entidade, mais de 60% dos Acordos realizados em janeiro de 2021 foram abaixo da inflação. No levantamento foram analisados cerca de 380 Acordos e Convenções Coletivas.

A pesquisa mostra ainda que 29% dos reajustes foram iguais ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e somente 10% tiveram ganho real. A variação real média, já descontada a inflação, foi de -0,53%. Segundo o Dieese, é o pior resultado desde janeiro de 2018.

Fausto comenta: “Esses números chamam a atenção porque são bem diferentes do que vimos ano passado. Em janeiro de 2020, apenas 27,2% das categorias tiveram aumento abaixo da inflação; 34,3%, empataram; e 38,5% tiveram ganho real”.

Pessimismo – Segundo Fausto, esse ano a coisa deve ficar ainda pior. O maior empecilho para a fluidez das negociações é o cenário da Saúde Pública, “com a entrada do segundo ciclo do contágio por Covid-19, falta de vacina e de políticas públicas que tragam alguma segurança ao mercado”, analisa.

O coordenador-técnico do Dieese lembra: “Em certo momento de 2020, o mercado achava que a gente ia superar a pandemia, mas o que temos agora é aumento do contágio, número elevado de mortes, total falta de controle por parte do governo. O cenário sugere que as empresas serão mais conservadoras”.

Setores – A pesquisa do Dieese mostra que o setor industrial foi que obteve o melhor resultado nas negociações (56,7% de reposição igual ou maior que a inflação), seguido pelo Comércio (53,3%). O setor de Serviços foi o mais atingido pelo arrocho (76,3% de reajustes abaixo da inflação). Fausto destaca que o panorama atual, com inflação alta, torna as negociações com reposição das perdas ainda mais difíceis.

Fonte: Agência Sindical

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